Ciência Pode Ter Finalmente Descoberto Como Travar Doença de Alzheimer

Um estudo recente revelou que a doença é provocada por uma bactéria que remete para a periodontite, uma doença que afeta as gengivas. A descoberta poderá assim resultar na criação de tratamentos eficazes ou até mesmo numa vacina, segundo informações divulgadas pela publicação New Scientist.

A doença de Alzheimer é a quinta maior causa de morte no mundo. Embora as causas sejam desconhecidas, resulta na perda progressiva da memória e função cognitiva.

A condição geralmente envolve a acumulação de dois tipos de proteínas – beta-amiloide e TAU – no cérebro. Considerando que estes são alguns dos primeiros sinais físicos da doença, desde 1984 a principal hipótese sobre sua causa é o controle defeituoso de tais proteínas, especialmente a beta-amiloide, que se acumula para formar grandes placas no cérebro.

De fato, um estudo realizado em 2016 mostrou que as proteínas beta-amiloides parecem funcionar como uma defesa contra tais bactérias. Estudos subsequentes verificaram a presença das bactérias no cérebro de pessoas que tinham Alzheimer quando estavam vivas. Mas, não ficou claro se eram as bactérias as causadoras da doença ou se apenas foram capazes de penetrar no cérebro já danificado pela doença.

Desde então, diversas equipas de investigadores, incluindo a empresa farmacêutica Cortexyme, têm investigado a bactéria Porphyromonas gingivalis, responsável pela periodontite, como um fator de risco para o Alzheimer.

Até ao momento, descobriu-se que a bactéria pode invadir e inflamar as regiões do cérebro afetadas pela doença; causar infeções nas gengivas e piorar os sintomas em camundongos geneticamente modificados para desenvolverem a doença de Alzheimer; causar inflamação cerebral, dano neural e a promover a formação de placas beta-amiloides semelhantes a Alzheimer em camundongos saudáveis.

Nesse sentido, investigadores da farmacêutica Cortexyme e de várias universidades, relataram ter encontrado duas enzimas tóxicas que a P. gingivalis usa para se alimentar de tecido humano em até 96% das 54 amostras de cérebros com Alzheimer tiradas do hipocampo – uma área do cérebro importante para a memória.

Essas enzimas degradadoras de proteínas foram encontradas em níveis mais altos no tecido cerebral, que também tinham mais fragmentos da proteína TAU e, portanto, maior declínio cognitivo. A equipa também encontrou o mesmo material genético no córtex cerebral em todos os três cérebros com Alzheimer que avaliaram.

Ao analisar amostras de cérebros de pessoas sem Alzheimer, os investigadores perceberam que alguns tinham acumulações da bactéria P. gingivalis e proteínas, mas em níveis baixos. Então, como já sabiam que a beta-amiloide e a TAU podem se acumular no cérebro por 10 ou 20 anos antes dos sintomas de Alzheimer começarem, isso mostrou à equipa que a bactéria não entra no cérebro como resultado do Alzheimer, mas que finalmente poderia ser ela a grande responsável por provocar a doença.

Segundo Casey Lynch, da farmacêutica Cortexyme, as descobertas de sua equipa são “uma hipótese universal sobre o agente causador”, e explicam totalmente as causas do Alzheimer.

Se esta nova hipótese for confirmada por outros cientistas, será então possível desenvolver tratamentos eficazes contra a doença atacando a bactéria P. gingivalis antes que esta gere respostas defensivas.

Liliana Lopes Monteiro: liliana.monteiro@noticiasaominuto.com

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